[off] cafezinho para a liberdade… das elites

São hilárias as iniciativas antidemocráticas recentemente promovidas pelas desesperadas elites tupiniquins — as mesmas elites que têm demonstrado há quase oito anos seu ódio pelo povo e pelo fato do Presidente da República, ex-torneiro mecânico, ter sido eleito de forma democrática.

Inspirados nos protestos neofascistas estadunidenses ligados aos tais "tea party movements" (organizados por setores e entidades que consideram Obama comunista e acham que a necessária reforma do sistema de saúde é uma afronta aos valores americanos…), os moradores do eixo Morumbi-Leblon-Higienópolis-Copacabana resolveram promover um "cafezinho para a liberdade".

Levando em conta a trajetória histórica do país, esta palavra "liberdade" acaba se relacionando apenas com a "liberdade" do topo de nossa pirâmide em pagar salários miseráveis a seus serviçais domésticos, "liberdade" de sonegar impostos, "liberdade" para atear fogo na população pobre, liberdade de poucos possuírem muito e muitos possuírem nada, "liberdade" de apenas nove famílias controlarem toda a grande mídia, etc.

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Em São Paulo simplesmente não vai dar certo. O encontro está marcado para ocorrer no Café da Pinacoteca do Estado. Mesmo sendo domingo, os moradores do eixo Morumbi-Jardins-Higienópolis — que são de fato os interessados em um encontro como este — ficarão presos no congestionamento interminável da cidade, fruto de décadas de política urbana demo-tucana…

Além disso, será no mínimo patético ver aquela elite que odeia a democracia popular esprimida entre os limites da cerquinha do Café da Pinacoteca, com medo do povo que efetivamente usa aquele parque…

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PS: Melhor definição sobre José Serra.

[tfg] pedagogia da esperança

Este é um dos trechos, talvez pela simplicidade, talvez pela força expressiva, mais citados de toda a obra de Paulo Freire. Foi publicado em Pedagogia da esperança, um relato informal e inspirador da trajetória do educador-educando escrito em 1992.

Freire descreve a experiência que teve com trabalhos de extensão agrícola direcionados a camponeses (a mesma experiência — especificamente aquela que teve com camponeses chilenos quando de sua passagem no Instituto de Desenvolvimento e Reforma Agrária daquele país — foi problematizada no livro Extensão ou comunicação):

De volta para casa [de seu trabalho com camponeses no Chile, em que procurava dialogar com os trabalhadores reassaltando a importância de seu conhecimento prévio do mundo para a partir daí conhecer mais] recordava a primeira experiência que tivera muito tempo atrás na Zona da Mata de Pernambuco, tal qual a que acabara de viver.

Depois de alguns momentos de bom debate com um grupo de camponeses o silêncio caiu sobre nós e nos envolveu a todos. […]

— Muito bem — disse eu a eles. — Eu sei. Vocês não sabem. Mas por que eu sei e vocês não sabem?

Aceitando o seu discurso, preparei o terreno para minha intervenção. A vivacidade brilhava em todos. De repente, a curiosidade se acendeu. A resposta não tardou.

— O senhor sabe porque é doutor. Nós, não.

— Exato, eu sou doutor. Vocês não. Mas, por que eu sou doutor e vocês não?

— Porque foi à escola, tem leitura, tem estudo e nós, não.

— E por que fui à escola?

— Porque seu pai pode mandar o senhor à escola. O nosso, não.

— E por que os pais de vocês não puderam mandar vocês à escola?

— Porque eram camponeses como nós.

— E o que é ser camponês?

— É não ter educação, posses, trabalhar de sol a sol sem direitos, sem esperança de um dia melhor.

— E por que ao camponês falta tudo isso?

— Porque Deus quer.

— E quem é Deus?

— É o pai de nós todos.

— E quem é pai aqui nesta reunião?

Quase todos de mão para cima, disseram que o eram.

Olhando o grupo em silêncio, me fixei num deles e lhe perguntei: — Quantos filhos você tem?

— Três.

— Você seria capaz de sacrificar dois deles, submetendo-os a sofrimentos para que o terceiro estudasse, com vida boa, no Recife? Você seria capaz de amar assim?

— Não!

— Se você — disse eu —, homem de carne e osso, não é capaz de fazer uma injustiça desta, como é possível entender que Deus o faça? Será mesmo que Deus é o fazedor de todas as coisas?

Um silêncio diferente, completamente diferente do anterior, um silêncio no qual algo começava a ser partejado. Em seguida:

— Não! Não é Deus o fazedor disso tudo. É o patrão!

Possivelmente aqueles camponeses estavam, pela primeira vez, tentando o esforço de superar a relação que chamei na Pedagogia do Oprimido de "aderência" do oprimido ao opressor para, "tomando distância dele", localizá-lo "fora" de si, como diria Fanon.

in FREIRE, Paulo. [1992] Pedagogia da esperança. 15a edição. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2008, pp 49–50.

Nem o mais insensível dos conservadores poderia negar que o que se passou ali é, no mínimo, bonito.

concreto

escada

Será que o carpinteiro que cuidou do corte das fôrmas desta escada ainda está vivo? Fico imaginando todo o tempo que ele levou para fazer as ripinhas e depois montá-las espacialmente. Para escorá-las, deve ter sido pior ainda: deve ter dado um trabalho infernal solidarizá-las para aguentarem juntas o peso do concreto lançado. Pena que não restem registros.

De qualquer forma, é bonito.

exílio urbano

Mobilidade urbana é um direito.

[…] algumas linhas municipais de ônibus que trafegam por regiões periféricas ou por franjas mais distantes de grandes avenidas deixaram de circular aos domingos, dia de descanso e lazer para muitos – mas nem de longe para todos. Estes, que se virassem como desse para chegar ao emprego; os demais, que passassem o dia enfurnados em suas casas ou entregues à modorra dos domingos suburbanos. Uma distância feita, em muitos casos, de um bom número de quilômetros, passou a separar, na ida e na volta, os primeiros de seus empregos e os segundos das áreas de lazer da cidade.

[…]

Assim, a ausência de oferta de transporte público aos que moram nas franjas e periferias da cidade acaba por emular, em âmbito municipal, a política de desprezo pelos direitos de locomoção dos estratos sociais de baixa renda ora praticada pelo estado de São Paulo, assegurada por cobrança de taxas exorbitantes de pedágio. Em ambos os casos, embora não haja bloqueio físico a impedir o direito constitucional de ir e vir dos cidadãos menos capitalizados, este é aviltado por barreiras econômicas direta ou indiretamente colocadas pelo estado.

Maurício Caleiro. "Imprensa ignora crise no transporte paulistano", Observatório da Imprensa, 2 de março de 2010. Grifo meu

Portanto, a gestão Serra-Kassab é criminosa:

"O governo fecha os albergues centrais e diz para irmos para outros na periferia", relata Cícero Morais. "Quando me tiraram do Glicério, me mandaram para a zona leste." Kassab fecha albergues e lota ruas, Estadão, 04 de fevereiro de 2010

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Mais: serra, kassab e as políticas para o centro; gentrificação; gentrificação [2]; gentrificação [3]

oscar niemeyer e stanley kubrick, 1977

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"Suas obras são formas nunca vistas, que subitamente se revelam diante de nós como se caídas de um outro espaço. Têm também a marca de nossa época, quando a fantasia humana rompe os limites terrestres para penetrar os espaços estelares", escreveu o poeta Ferreira Gullar.

Talvez tudo isso explique uma surpreendente carta que recentemente Oscar Niemeyer recebeu. Vinha dos EUA e pedia-lhe o projeto de uma casa. Estava assinada por Stanley Kubrick, o diretor de "2001, uma Odisséia no Espaço". [grifo meu]

fonte: "Niemeyer, o poeta do concreto armado completa 70 anos", Revista Veja, 14 de dezembro de 1977.

Não faço ideia de quantas vezes a revista Veja publicou matérias sobre Niemeyer, mas o excerto acima, de uma reportagem de 1977, deve ser um dos mais instigantes entre todas as reportagens da revista já feitas sobre o arquiteto.

Kubrick construiu ao redor de si o mito do cineasta-diretor-produtor perfeccionista. Niemeyer não dá o braço a torcer em suas obras. Se o projeto tivesse realmente ocorrido, seria no mínimo um divertido estudo de caso.

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Manfredo Tafuri, professor de História da Arquitetura da Universidade de Veneza, na Itália, observa, porém: "O prédio da Editora Mondadori em Milão procura provocar impacto no observador. Ao mesmo tempo não se compreende o porque. Isto é: o impacto permanece como um ponto de interrogação, sem estar sustentado pela poética surrealista. Em certo sentido eu considero Niemcyer um tradutor do surrealismo em arquitetura - só que com grande atraso".

Mas por que a Editora Mondadori escolheu Niemeyer? Responde o professor italiano: "Pela mesma razão que o Partido Comunista Francês pediu a ele para fazer sua sede em Paris. Os trabalhos de Niemeyer são ótimas formas publicitárias".

idem

Definitivamente eram outros tempos. Por um lado, a matéria de 1977 é mistificadora e contribui na construção do mito do gênio individual. Mas certamente, por outro lado, dá gosto de ver uma revista voltada para o público leigo, sob ditadura militar, consultar um então longínquo e marxista Tafuri na Itália pós-68. Hoje Veja tentaria simplesmente achar um jeito no meio da reportagem de agredir o Lula.

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Aliás: USAI, Paolo. "Kubrick as Architect", Cinémas, v.9, n.1, pp.117-136.

gentrificação [3]

e o povo diz:

Mais gentrificação:

  1. Jato d’água expulsa morador de rua de calçada [pdf]. Jornal Agora. 13.02.2008.
  2. Kassab fecha albergue e lota ruas. O Estado de S. Paulo. 04.02.2010. 
  3. Para onde foram os moradores de rua?. Blog Luís Nassif. 13.02.2010.
  4. Governo Kassab tenta expulsar mendigos. Brasília Confidencial. 18.02.2010.
Exatos dois anos depois: o ciclo de agressão demotucana contra o povo se repete. A grande mídia permanece calada e continua a acreditar, por exemplo, que a culpa dos alagamentos seja da chuva.

cá, lado de lá

Ver a pontinha do topo da dupla de edifícios mais famosa de São Paulo a partir do outro lado da várzea é sempre uma experiência no mínimo bonita. Forçando um pouco, dá até pra ver o Hilton.

logo ali

Sobre o lado de cá e o lado de lá (grifos meus):

Finalmente a classe dominante produz também uma ideologia que muito facilita seu controle sobre a pro- dução do espaço construído urbano. Ela (e com ela toda a sociedade) faz, por exemplo, com que se chame de “cidade” aquela parte da cidade nas quais tem interesse. Identificando tais partes com “a cidade” ela pode melhor justificar as leis e obras que faz para melhorá-las, como leis e obras destinadas a melhorar “a cidade”. Ela chama, por exemplo, de “centro” da cidade, a parte do centro que é de seu interesse ou o “seu” centro. O “novo centro” da cidade de São Paulo é a região Paulista/Faria Lima, diz a ideologia burguesa. No entanto, para as classes dominadas, o centro continua (agora mais que nunca) sendo o “centro velho” pois lá é que estão hoje suas lojas, seus cinemas e seus profissionais liberais. A burguesia abandonou os centros de nossas cidades alegando que ele estava se “deteriorando”, quando na verdade essa “deterioração” é efeito e não causa do abandono. […]

A ideologia dominante procura assim esconder o real processo de construção da cidade, o que, aliás, tem conseguido com sucesso pois a maioria das pessoas, mesmo das classes subalternas, acredita realmente que a Avenida Paulista e não o Triângulo é o centro da cidade e que o “perto “ e o “longe “ são dados da natureza e não o resultado de um processo conduzido pelos homens.

in VILLAÇA, Flávio. O que todo cidadão precisa saber sobre habitação [pdf], 1986, p.47. Disponível em [http://www.flaviovillaca.arq.br/livros01.html]

“proposta 13″: planejamento urbano “participativo” e o jogo das elites

Não é de agora que se denuncia o caráter ideológico e falacioso relacionado a certas práticas “participativas” de planejamento urbano ou das ilusões do plano diretor. Embora esteja clara a necessidade de dotar de democracia direta os processos de decisão a respeito do planejamento e do desenho das cidades, a forma como o tema tem sido abordado tem levado a uma certa legitimação de certos privilégios urbanos das elites – sobretudo neste Brasil urbano pós-Estatuto das Cidades. Toda a história a respeito do lobby pelas zonas estritamente residenciais tem a ver com isto.

Um dos tópicos de discussão mais acalorados em audiências públicas e oficinas para elaboração de planos diretores diz respeito à progressividade do imposto territorial urbano baseada na ociosidade do imóvel taxado

Nos EUA, não é apenas a progressividade do IPTU que se revela um tema complexo. Em um país tão conservador, a própria existência do imposto incomoda. E, enquanto tal existência é até tolerada pela maior parte da população, a atualização da planta genérica de valores, por outro lado, é sempre motivo de protestos.

A proposta 13 do Estado da Califórnia (oficialmente chamada People’s Initiative to Limit Property Taxation, ou Iniciativa popular para limitar a taxação da propriedade) é um episódio relevante e curioso. Relevante pois foi a primeira decisão do gênero nos EUA – alimentando uma série de medidas semelhantes em outros Estados, além de ter sido resultado de iniciativa popular – e curioso pela forma como foi moldada a opinião pública ao longo do caso. Surgido a partir de uma demanda legítima por melhor e mais justa distribuição de verbas públicas para educação, revelou-se no final um engenhoso jogo das elites imobiliárias locais para legitimar, na letra da lei, seus interesses sobre o mercado de terras, por meio de um eficaz controle da opinião pública e por meio de um competente manuseio de certo idealismo e retórica.

Tratou-se de uma proposta de emenda à Constituição do Estado da Califórnia de iniciativa popular (promovida, ou seja, pela coleta de assinaturas) e então levada a plebiscito. Esta é a parte interessante da coisa. Embora o voto não seja obrigatório, há um aspecto interessante na forma como as propostas de iniciativa popular são lá encaradas: o Legislativo local não interfere, cabendo à população e não aos deputados e senadores estaduais referendar ou não a proposta. Como é de se esperar, com uma proposição desta natureza, campanhas pró e contrárias são rapidamente levantadas e muito dinheiro é envolvido na tentativa de influenciar a opinião pública.

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Tudo começou com a distribuição de verbas estaduais para o sistema educacional. Na Califórnia o orçamento destinado à manutenção e ampliação da rede de escolas era vinculado à taxação das propriedades urbanas. Em outras palavras: condados ricos – cujos imóveis possuíam portanto maior valor – acabavam recebendo naturalmente mais verba para sua rede de escolas públicas. Isto levou a uma série de protestos por parte das populações dos condados mais pobres e o tema foi levado à Suprema Corte. Com base na isonomia, considerou-se que todos os estudantes do Estado tinham direito à mesma parcela do total do orçamento destinado à educação.

Tais verbas, lembre-se, eram vinculadas à arrecadação do imposto sobre a propriedade. Portanto, após a decisão da Suprema Corte, assistiu-se naquela conservadora Califórnia a uma breve e não intencional política de transferência de renda: o dinheiro arrecadado nos condados mais ricos passou a alimentar a rede de escolas de bairros de minorias.

Há toda uma cultura nos EUA de entender o Estado como uma espécie de prestador de serviços pagos com o dinheiro dos impostos. É como dizer que a educação promovida pelo Estado foi paga com o dinheiro suado dos contribuintes trabalhadores. A palavra “taxpayer” é provavelmente mais forte que “citizen”. O fato de impostos originados em áreas mais ricas terem sido transferidos para áreas mais pobres foi o pretexto perfeito tomado pelo mercado imobiliário para por um fim no aumento da taxação de imóveis (que passava naquela década por uma atualização necessária e bastante pesada dos valores venais).

Os lobbyistas republicanos Howard Jarvis e Paul Gann são considerados os pais da Proposição 13. Ligados a associações de donos de imóveis e a incorporadoras, ambos iniciaram comitês populares para promover o “Sim”, além de terem sido os iniciadores da coleta de assinaturas.

O truque estava na manipulação das ideias de "justiça" e "direitos". Associaram o aumento repentino dos impostos sobre a propriedade com o “injusto” sistema educacional que privilegiava aqueles “vagabundos” que não pagariam impostos, por morarem em bairros de baixo valor da terra. O direcionamento dado à opinião pública fez tanto efeito que o “sim” à proposta venceu com 65% dos votos. Em apenas dois condados (mais pobres, como é de se esperar), o “não” teve mais votos.

Sem dúvidas é possível identificar aí o nascimento de um conservadorismo de massas que alguns anos depois levaria à eleição de Reagan e Bush. Think-thanks conservadores como o Instituto Cato, por exemplo, celebram-na desta maneira.

Resumo: a elite usou a movimentação popular (especialmente aquela população que tinha medo de não conseguir mais pagar o IPTU devido ao seu aumento) para aprovar algo que interessava de fato a ela e apenas a ela. Ao invés de uma organização pensada sob perspectiva de classes — para promover isenção de pagamento de imposto para famílias de baixa renda, por exemplo — as elites conseguiram manter sua hegemonia com discurso e apoio popular. É um episódio com o qual temos bastante a aprender.

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Desde então, todas as propriedades californianas não podem ser taxadas em mais do que 1% de seu valor venal. Ou seja: seria impossível sequer pensar em aplicar qualquer política de progressividade como a do nosso IPTU progressivo no tempo.

Além disso, a proposta também determinou na prática o congelamento dos valores venais: permite-se apenas um aumento anual de no máximo 2% (o que provavelmente fica abaixo da inflação). A atualização total dos valores venais só são permitidas em caso de venda do imóvel, o que acaba incentivando em áreas pouco badaladas a especulação imobiliária e o estoque de terras.

Se por um lado alguns resultados foram até positivos (impede a priori uma expulsão em massa de população de determinadas áreas afetadas por valorização da terra – o imposto deixa de ser usado como arma) por outro lado, como é de se esperar em uma nítida regra de laissez-faire urbano, é praticamente impossível taxar grandes valorizações de certas regiões (por meio de políticas de extração de mais-valia fundiária via imposto), além de obviamente impedir a penalização da especulação imobiliária ou de atividades semelhantes, com grandes impactos no mercado habitacional de baixa renda. Some-se a isto o fato da California ser a mãe da urbanização dispersa e de Los Angeles ser a cidade provavelmente mais dependente do automóvel no mundo. O efeito no mercado de aluguéis também foi perverso, promovendo um aumento inesperado e sem controle dos preços no mercado residencial.

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Fora os efeitos na crise do setor imobiliário, a exigência da Emenda 13 de que qualquer nova proposta de imposto na Califórnia tenha de obter 2/3 de votos na câmara também apresenta efeitos problemáticos. Segundo a revista TIME:

Jarvis created a similarly impregnable institution. When he rode the wave of anger over skyrocketing property-tax assessments to pass Proposition 13 in 1978, he included a two-thirds vote requirement for the passage of any new taxes in California — an insurmountable obstacle built on populist allergy to any kind of new levy. Beholden to a tax-averse electorate, the state’s liberals and moderates have attempted to live with Proposition 13 while continuing to provide the state services Californians expect — freeways, higher education, prisons, assistance to needy families and, very important, essential funding to local government and school districts that vanished after the antitax measure passed.

Now, however, that balancing act no longer seems possible. In the state’s current fiscal crisis, California’s public schools stand to lose $5.3 billion on top of $7.4 billion in cuts last year. Superintendents and school boards foresee teacher layoffs, increased class sizes, the loss of computer labs and libraries and, in some districts, insolvency. Superintendent Ramon Cortines says the Los Angeles Unified School District will lay off more than 2,500 teachers.

"The Legacy of Proposition 13", junho de 2009

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A “proposta 13” tem voltado a aparecer na grande mídia por diferentes razões:

  • recentemente Paul Krugman publicou no New York Times um artigo crítico à situação de déficit público promovida pelo governo republicano de Arnold Schawrznegger e de como a limitação à taxação dificulta a promoção de políticas de bem-estar social. Há uma versão em português na Terra Magazine. Krugman não é o único, porém, a comentar a respeito dos efeitos nocivos da emenda.

  • Por outro lado, setores conservadores estão sempre dispostos a minimizar o papel da Proposta na crise fiscal, procurando a todo custo manter seus privilégios, no que eles chamam de uma cultura de “por a culpa na 13” (Blame 13)

  • Finalmente, os protestos ligados ao autoproclamado Movimento da Festa do Chá (Tea Party Protests) tomam o processo que levou à proposta 13 como um exemplo a ser seguido pelos setores conservadores para limitar ações do governo Obama e sobretudo para combater a reforma do sistema de saúde.