otário paulista 2: de como o psdb-pfl deixou a cidade debaixo d’água. Saturnino de Brito já sabia.

1. a cidade elege Kassab e o estado elege Serra. É a consolidação do desastre tucano.

2. o conjunto de gestões do PSDB no governo do Estado - que se arrastam há mais de dez anos - investe mais de um bilhão de dólares na obra burra e irresponsável de rebaixamento da calha do Tietê. Ao mesmo tempo, outras cidades mais inteligentes promovem processos de "renaturalização" dos leitos de seus rios.

3. a agressiva e violenta política urbana demo-tucana promove aumento do preço da terra nas áreas centrais, gentrificação e deixa como única alternativa às classes populares a ocupação, sem infraestrutura e serviços públicos, das periferias extremas.

4. Por omissão e por consequência da política urbana demo-tucana, que impede o direito à cidade das populações mais pobres, as áreas de mananciais são densamente ocupadas e os vários afluentes do Tietê e Pinheiros são sufocados. O discurso falacioso da "sustentabilidade" tem sido usado para colocar a culpa nesta população (no fundo, ela é a grande vítima).

5. Chove, a cidade pára, fica debaixo d’água e a burrice construída e materializada fica evidente.

6. Como o tucano é um animal que deve ter a inteligência igual a de um asno, Serra insiste na ampliação das marginais e na expulsão da população pobre para periferias cada vez mais distantes.

7. O paulistano de classe-média vive no engarrafamento ouvindo CBN. Aplaude a iniciativa de Serra e coloca a culpa nos coitados moradores das áreas de manancial.

8. No século passado Saturnino de Brito já alertava para o perigo de se ocuparem as margens do Tietê. Serra está atrasado em mais de cem anos, chegando a ser pior que Prestes Maia (urbanismo rodoviarista, perverso e fadado ao desastre natural). Mais carros na rua e menos áreas permeáveis: qualquer ser com inteligência superior a de uma ameba sabe que isto vai dar merda.

Paulistano otário tem mesmo é que sofrer em engarrafamentos e em alagamentos para aprender a deixar de ser burro como um tucano e aprender a parar de eleger serras e kassabs.

9. Kassab dará a chave da cidade a Mickey Mouse. Somos todos mesmo uns palhaços.

otário paulista: jacques herzog e a sagração da heteronomia na relação entre governo e povo

1. A classe média paulista, a mando de suas elites, elege em 2006 José Serra, legítimo representante de tudo o que há de mais arcaico e antidemocrático no que se refere à gestão pública.

2. Três são as principais vitrines da gestão Serra: a (falsa) expansão do Metrô, a construção do Rodoanel e a sede da São Paulo Cia de Dança.

3. As obras do Metrô e do Rodoanel apresentaram desastres gravíssimos.

4. Para o Teatro de Dança, foi chamada a dupla Herzog & DeMeuron, sem que tivesse sido consultado qualquer cidadão a respeito.

5. A dupla suíça receberá pelo menos dez vezes mais do que qualquer escritório brasileiro receberia pelo mesmo projeto.

6. Os estudantes somos insultados por Jacques Herzog na quinta-feira, 03.12, quando ele é perguntado a respeito da responsabilidade do arquiteto perante temas como a gentrificação: "What the fuck do you want me to say?". O público baba-ovo, estudantes filhos das mesmas elites que elegeram o Serra e que vivem mais tempo na Suíça que no Brasil, delira.

7. Em resumo: um governo elitista paga a um escritório estrangeiro uma fortuna para construir uma obra desnecessária e gentrificadora em uma cidade cujos cidadãos não foram em nenhum momento convidados a participarem das discussões a respeito. O novo arquiteto do rei demonstra sua arrogância ao zombar do povo que pagou o imposto que constituirá seus honorários. Serra demonstra que em sua concepção de democracia o governante faz e o povo obedece aplaudindo: não acredita em autonomia e governa segundo a heteronomia.

Depois dizem que paulista não é otário.

revista ou… nº 4

A revista ou… era editada por um grupo de estudantes da fauusp no início dos anos 70. É notável pela atualidade dos temas que discutía: já naqueles anos publicava textos de Benjamin, Lefebvre, Paul Singer, Roberto Segre, entre outros autores pouco lidos naquele contexto universitário sob AI-5.

Seguem imagens. [destaque para o texto de rodrigo lefévre: algumas considerações continuam válidas 40 anos depois]

extrato da revista OU… nº 4

ctrs

 ctrs

É tedioso ouvirmos em Brasília, Salvador, Belo Horizonte e São Luiz: “Isto
aqui é primeiro mundo”. A isto, costumo responder: não é primeiro
mundo! É possível sempre com humanismo e sensibilidade criar espaços
que influenciem profundamente a cultura médica que se implantou e
permitiu que hoje a Rede SARAH exista e resista aos impactos e traumas de
uma sociedade retrógrada e egoísta. O contra-sistema que a Rede SARAH
hoje representa no caos de assistência médica brasileira, só é possível a
partir das fortalezas belas e espartanas que Lelé projetou e construiu e que
consolidaram um pacto com o povo de todos os Brasís, que compreendeu-
as e delas se apropriou.


Lelé construiu e constrói monumentos que tem vida. Porque abrigam o
homem. Aqueles que sofrem em sua fragilidade e os que cuidam no seu
cotidiano de entrega.

Aloysio Campos da Paz Júnior
Cirurgião Chefe da Rede SARAH
Presidente da Associação das Pioneiras Sociais

fonte: CTRS (org.). CTRS - Centro de Tecnologia da Rede Sarah. São Paulo: Pro Livros, 2006.

O Centro de Tecnologia da Rede Sarah é dos poucos espaços de resistência contra o desmanche do Estado e dos direitos sociais. Apesar da pressão criminosa do setor imobiliário para inviabilizá-lo, permanece.

Estes vídeos são imperdíveis.

ctrs

lina bo bardi et al, casa do benim

Linda obra da equipe da arquiteta Lina Bo Bardi em Salvador. Sem dúvidas o arquiteto mais inspirador do século xx. Seguem algumas imagens para registro pessoal.

casa do benim

conjunto do benim

Destaque para a solução de pré-fabricação usada:

benim

Todas as imagens constam neste álbum do flickr: conjunto do benim.

Sobre Bardi e o Pelourinho, no virtruvius: http://www.vitruvius.com.br/minhacidade/mc224/mc224.asp

Ainda neste blogue, outras citações: bo bardi, 1 (sobre arquitetura, cultura popular, criação); bo bardi, 2 (sobre industrialização e artesanato).

koolhaas e tafuri

De uma entrevista no portal vitruvius:

Parece essencial pôr em confronto estes dois pontos de vista diferentes, justamente para lhes poder compreender melhor na sua relativização. Com Koolhass se reabrem todas (ou quase) as instâncias que Tafuri mantinha fechadas. O problema é que quem encontra em Koolhass uma das poucas referências intelectuais vitais do panorama arquitetônico atual, ignora totalmente, na grande parte dos casos, que aquelas questões, aquela “criticidade”, aquela sensibilidade para a crise, provém, diretamente ou indiretamente, de Tafuri. [Marco Biraghi entrevistado por Adalberto Retto]

O problema é que quem ignora Tafuri no Brasil não são apenas os adeptos de Koolhaas. É [quase] todo mundo.

arquitetura da pobreza/arquitetura do sublime [pt 2]

Continuando com a leitura do texto iniciada em http://notasurbanas.blogsome.com/2009/07/23/arquitetura-da-pobrezaarquitetura-do-sublime-pt-1/

O texto parte para a defesa de uma ideia de "sublime" na arquitetura. No final, acho que os trechos anteriores eram mais ricos: a conclusão parece ter ficado mais datada. Vale como contraponto a esta ler a opinião de Mike Davis sobre Koolhaas (exagerada, evidentemente, mas necessária). Todos os grifos são meus.

What I am attempting to develop is an architecture of the sublime. The sublime is that which must be thought of in a relation to something eternal, an absolute quantity that cannot be expressed in time and space. […] Shadows, loneliness, silence and the approach of death can be ‘terrible’ because they announce as it were that the other, language or life is soon over (Lyotard). A similar perception is never obtained from a design drawing. Every drawing is an attempt at an effect. But we cannot rule out that when such a building is actually built, this threat will be present.

[…] His work [trata aqui de Koolhaas, em oposição aos experimentos arquitetônicos não consumados dos construtivistas russos e avaliados apenas no papel e como ideias] was earlier connected with the modernist machine aesthetic in which the formal is defined anew. The machine aesthetic means for the descontructivists that the argument about free form is over - the design process becomes an automatic linar process involving cells and links. [precipitado?]

I believe that the machine of the modernist concept has always broken down. In truth it is about identifying the hitches and disturbances which are intrinsic to such complete orders. It doesn’t bring us to a ‘free form’, but id adds to the experiences which are evoked by this defective machinery, and to the experience of time and space of the users. The users are not the social guarantee for architecture that it can leave the stuffed and quilted boudoir.

fonte: GRAAFLAND, Arie. "The architecture of unease" in The Architecture Annual - 1994-1995. Delft: TUDelft, 1995

Loja da Prada?

madri

Interessante novo blogue sobre o cenário arquitetônico madrilenho e espanhol: estudioenconstruccion.wordpress.com. Em uma entrevista com Branca Lleó, aí presente: Virá um tempo de mais reflexão e menos ação.